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Maison & Objet apresenta 6 revelações do design francês

por Bruno Etchepare / 29 ago 2015

Uma das tradições da feira bianual Maison & Objet Paris é oferecer um espaço para os talentos emergentes do mercado de design. Em sua segunda edição deste ano, entre os dias 04 e 08 de setembro, a M&O resolveu apostar nas pratas da casa e apresentar o trabalho de um grupo de jovens designers franceses. Veja quem são eles:
 

Hannes Schreckenberger & Célia Picard

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A dupla procura incorporar em seu trabalho elementos que reflitam o contexto da sociedade na qual eles foram produzidos. Com locação nos cinco continentes, os projetos experimentais dos designers estão fortemente ligados com os recursos humanos e matérias primas locais. Da China à África do Sul, Célia e Hannes elaboram objetos, cenários e estratégias que permeiam a linha tênue entre artes plásticas e design.

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“Emissaire” é um conjunto de dez elementos de vidro individuais que devem ser dispostos sobre uma mesa. A forma, a sensação e o peso destes objetos visam despertar um aspecto lúdico, convidando as pessoas a compor paisagens imaginárias. O conjunto, feito de vidro soprado, foi concebido para funcionar como um jogo meditativo.

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O objeto acima é um banco, que inclui um espaço de armazenamento em sua estrutura. A peça pertence à coleção “Frugal”, que surgiu de um projeto colaborativo com artesãos da Cidade do Cabo, na África do Sul.

 

Thomas Vailly & Laura Lynn Jansen

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As diferentes colaborações entre Laura Lynn JansenThomas Vailly são baseadas em abordagens e pontos de vista complementares sobre produto e design de interiores. A dupla dedica grande atenção a fenômenos naturais, como a manipulação das cores através de luz e refração. Ambos estudaram na Academia de Design de Eindhoven, onde se conheceram. Laura tem uma trajetória premiada e um viés bastante multidisciplinar, com desenhos que se baseiam na poética entre o corpo humano e o espaço. Thomas, por outro lado, traz uma bagagem de quando estudou engenharia mecânica na França, e segue um caminho de especialização com foco em processos de produção e na transformação de materiais.

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Uma criação incrível da dupla é o objeto de iluminação 101,86° que oferece uma maneira original de experimentar a refração da luz. Os painéis transparentes foram tratados com métodos contemporâneos para que o material adquirisse qualidades cristalinas que os designers encontraram ao pesquisar as geleiras da Islândia.

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Para criar a linha de objetos “CaCO3 – Stoneware” a dupla trabalhou com cientistas, geólogos e artesãos a partir de estudos sobre um processo de petrificação novo que se observa na região francesa de Auvergne. O projeto desenvolveu uma técnica para “cultivar” pedra, ou seja, os designers projetam uma estrutura interna e a submetem a um processo que faz com que o mineral se aglomere em torno dessa estrutura, de forma semelhante ao que acontece na natureza.

 

Gilles Neveu

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O mais jovem do grupo, com 25 anos, Gilles Neveu iniciou seus estudos na arquitetura e depois que percebeu seu interesse em design de produto optou pela formação na Escola Superior de Design em Troyes. Durante seus estudos, se mudou para Paris e começou a colaborar com o designer e diretor criativo Pierre Gonalons. Gilles tem uma prática criativa que começa pela experimentação com materiais e possibilidades. Em sua prática como designer, um processo significativo é a aplicação da biomimética — conceito que explora o aproveitamento de formas e relações que já existem na natureza.

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Camille Riboulleau

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Camille Riboulleau foi buscar experiência na Alemanha e na Holanda antes de se estabelecer novamente em sua terra natal. Durante suas viagens, trabalhou por seis meses na oficina de Jerszy Seymour, em Berlim, e colaborou com o estúdio François Dumas, na Holanda, enquanto desenvolvia seus próprios projetos paralelamente. Recentemente, sua cadeira “Sillon” foi premiada com o Creation Assistance Awards 2015 pela VIA (uma associação francesa dedicada ao desenvolvimento de inovação na indústria moveleira). O objetivo, segundo o designer, era criar um produto lúdico e cuidadosamente detalhado que pudesse ainda assim ser produzido em massa. A peça é produzida pelo corte de uma única lâmina de polipropileno moldado, e por isso tem baixo custo e é totalmente reciclável.

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Outro projeto de Camille que chama atenção é o sistema de carpete “Encore”, cujo método de produção usa apenas fio e velcro. Enquanto a maioria dos sistemas de carpete usa placas retangulares, a criação do jovem designer permite que cada peça seja moldada in-loco para assumir qualquer forma desejada.

 

Dimitri Zephir & Florian Dach

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Dimitri e Florian se conheceram na École Nationale Supérieure des Arts Décoratifs, em Paris, e desenvolveram juntos um trabalho que aborda a observação do comportamento e da vida cotidiana. A dupla se aproveita de características complementares: no processo de criação de Dimitri os temas da história, do passado e da narrativa são recorrentes, enquanto Florian tem uma mente mais pragmática, usa seu vasto conhecimento em matéria prima e processos.

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No início do ano, a dupla ficou com o primeiro lugar em um concurso de ideias com o desenho do “Rite”, uma peça que reúne um espelho, uma mini lousa e dois cabides. Os componentes são encaixados em uma ripa de madeira e suas posições podem ser customizadas de acordo com os hábitos diários de cada pessoa (ou “rituais”).

 

Arthur Gillet

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“Barbe Bleue”, retrato de Arthur Gillet por Pierre et Gilles. Modelo: Arthur Gillet. Figurino: Isadora Gamberetti.

 

Sem dúvida a escolha mais irreverente dessa lista, Arthur Gillet é formado pela Escola de Belas Artes de Rennes e atua tanto como designer quanto como artista. Se tornou bastante conhecido em 2013, quando realizou uma performance no Museu de Orsay em que estava completamente nu, como escultura humana. Expoente de uma nova geração de artistas cujos trabalhos exploram a cultura homoerótica, Gillet usa o próprio corpo e persona como plataformas, e por isso deve ser também um capítulo à parte durante a feira!

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À esquerda, retrato de Arthur Gillet por Jonathan Icher. À direita, o objeto “La cloche à vanités”, de Arthur Gillet

Bruno Etchepare

Bruno Etchepare

Uma mistura de arquiteto, jornalista e publicitário. Gerente de mídias sociais do Arkpad desde 2010, estudou na FAU-USP e já publicou por aqui mais de 300 posts sobre diversos assuntos.

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